O Envelhecimento da População Autista: Como Preparar a Sociedade?

O Envelhecimento da População Autista Como Preparar a Sociedade

O autismo é frequentemente associado à infância, com grande parte das discussões focadas no diagnóstico precoce, intervenção e apoio durante a juventude. No entanto, com o avanço das investigações e uma maior compreensão sobre o transtorno do espectro do autismo (TEA), torna-se evidente que as necessidades dos adultos autistas, particularmente os idosos, estão a ser amplamente negligenciadas. O envelhecimento da população autista é uma realidade cada vez mais presente, e neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, é essencial refletir sobre como a sociedade pode adaptar-se para garantir qualidade de vida e suporte adequado para esta população crescente.

O Desafio do Diagnóstico Tardio
Muitos idosos autistas nunca receberam um diagnóstico formal durante a juventude. Até poucas décadas atrás, o autismo era mal compreendido, e muitas pessoas aprenderam a mascarar os seus traços característicos para se adaptarem às expectativas sociais. Isso resultou em anos de dificuldades emocionais, isolamento e mal-entendidos por parte da sociedade. O diagnóstico tardio pode trazer alívio ao permitir que os indivíduos compreendam melhor as suas experiências, mas também levanta questões sobre como adaptar o suporte a pessoas que já passaram a maior parte da vida sem esse reconhecimento.

O Envelhecimento da População Autista Como Preparar a Sociedade

Desafios do Envelhecimento para Pessoas Autistas
O envelhecimento traz desafios universais, como o declínio físico e cognitivo, o isolamento social e a necessidade de maior apoio médico. No caso dos autistas, essas dificuldades podem ser ainda mais acentuadas:

  • Sensibilidades sensoriais agravadas: Alterações na audição, visão e tato podem ser mais difíceis de gerir em pessoas autistas devido à hipersensibilidade.
  • Dificuldades na transição para a reforma: A perda de rotinas estruturadas pode ser angustiante.
  • Isolamento social: Muitos autistas têm redes sociais limitadas, o que pode levar à solidão na velhice.
  • Comorbilidades de saúde: Ansiedade, depressão e problemas gastrointestinais são comuns e podem piorar com a idade.
  • Falta de espaços adaptados: Lares de idosos e serviços de saúde não estão preparados para lidar com as necessidades específicas desta população.

Como a Sociedade Pode Preparar-se?
1. Melhoria no Acesso ao Diagnóstico e Suporte Especializado
É fundamental que os serviços de saúde mental e geriátricos sejam treinados para identificar e apoiar idosos autistas. O diagnóstico pode não mudar o passado dessas pessoas, mas pode oferecer melhores estratégias para a gestão do presente e futuro.

2. Adaptação dos Espaços e Cuidados de Longo Prazo
Lares e centros de dia devem ser repensados para incluir acomodações para autistas idosos, como:

  • Quartos individuais ou espaços silenciosos.
  • Rotinas estruturadas e previsíveis.
  • Cuidados de saúde adaptados a sensibilidades sensoriais.
  • Profissionais treinados em neurodiversidade.

3. Promoção da Inclusão Social
Muitos idosos autistas sentem-se excluídos da sociedade. Atividades comunitárias adaptadas, como grupos de apoio, clubes de interesses específicos e eventos culturais inclusivos, podem ajudar a combater o isolamento.

4. Apoio a Cuidadores e Famílias
Os cuidadores, sejam familiares ou profissionais, precisam de formação e suporte para compreender as particularidades do envelhecimento autista.

5. Políticas Públicas Específicas
Governos e instituições devem desenvolver políticas que garantam acessibilidade, serviços especializados e uma abordagem digna ao envelhecimento para pessoas autistas.

O envelhecimento da população autista é um desafio emergente que requer uma mudança estrutural na forma como a sociedade compreende e apoia estas pessoas. Ao abordarmos esta questão de forma proativa, garantimos que os autistas idosos tenham uma vida digna, segura e feliz. Neste Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, a melhor forma de homenagear esta comunidade é reconhecer que o autismo não desaparece com a idade e que cada fase da vida merece atenção e respeito.

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