Bofællesskab: o modelo dinamarquês de habitação colaborativa para um envelhecimento mais ativo

Bofællesskab o modelo dinamarquês de habitação colaborativa para um envelhecimento mais ativo

À medida que a população envelhece, cresce também a procura por novas formas de viver a terceira idade com mais autonomia, segurança e qualidade de vida. Embora os lares e as residências sénior continuem a ser uma resposta fundamental para muitas pessoas, existem modelos alternativos que procuram conciliar a independência com a convivência comunitária.

Um desses modelos é o bofællesskab, um conceito originário da Dinamarca que tem vindo a despertar interesse em vários países europeus devido aos seus benefícios na promoção do envelhecimento ativo, da inclusão social e do bem-estar emocional.

Mas afinal, o que significa bofællesskab? Como funciona? Será uma alternativa aos lares de idosos? E poderá este conceito vir a ganhar espaço em Portugal?

O que é um bofællesskab?
A palavra bofællesskab pode ser traduzida, de forma aproximada, como comunidade habitacional ou habitação colaborativa.

Trata-se de um modelo de habitação onde várias pessoas ou famílias vivem em casas ou apartamentos totalmente independentes, mas partilham determinados espaços comuns e participam ativamente na vida da comunidade.

Embora este conceito possa ser aplicado a pessoas de todas as idades, existem atualmente inúmeros bofællesskaber destinados especificamente a pessoas com mais de 55 ou 65 anos, proporcionando uma alternativa intermédia entre viver sozinho e mudar para uma residência sénior.

O objetivo principal passa por combater o isolamento social, incentivar a ajuda mútua e criar uma comunidade onde cada residente mantém a sua independência, mas beneficia do apoio e da proximidade dos restantes membros.

Como funciona este modelo?
Num bofællesskab, cada residente possui a sua própria habitação privada, equipada com cozinha, sala, quartos e casa de banho.

Ao mesmo tempo, existem diversos espaços comuns que podem incluir:

  • Cozinha comunitária;
  • Sala de refeições;
  • Jardim;
  • Horta;
  • Lavandaria;
  • Biblioteca;
  • Sala de convívio;
  • Oficina de bricolage;
  • Ginásio ou sala de exercício;
  • Espaços para atividades culturais.

Os residentes participam voluntariamente na gestão da comunidade, organizando refeições conjuntas, eventos, atividades de lazer e pequenas tarefas de manutenção.

Não existe uma obrigação de participar em tudo, mas o espírito de comunidade constitui um dos pilares fundamentais deste modelo.

Qual a diferença entre um bofællesskab e um lar de idosos?
Apesar de ambos promoverem o bem-estar das pessoas mais velhas, tratam-se de conceitos bastante diferentes.

Num lar ou residência sénior, existe uma estrutura profissional preparada para prestar cuidados permanentes, incluindo apoio nas atividades da vida diária, enfermagem, alimentação, acompanhamento médico, limpeza e vigilância.

Já num bofællesskab, os residentes continuam totalmente independentes e vivem nas suas próprias casas.

Habitualmente não existem equipas permanentes de cuidadores nem serviços assistenciais incluídos.

Quando algum residente necessita de apoio domiciliário, este é contratado externamente, tal como aconteceria numa habitação tradicional.

Assim, o bofællesskab não substitui um lar de idosos, mas sim uma solução habitacional destinada a pessoas autónomas que pretendem envelhecer acompanhadas.

Quais são as vantagens?
O sucesso deste modelo explica-se pelos inúmeros benefícios que oferece.

Combate à solidão
Um dos maiores desafios do envelhecimento é o isolamento social.

Ao viver numa comunidade ativa, torna-se mais fácil criar amizades, manter conversas diárias e participar em atividades conjuntas.

Diversos estudos demonstram que manter relações sociais contribui para reduzir sentimentos de solidão e melhorar a saúde mental.

Maior autonomia
Ao contrário de uma residência sénior, os residentes continuam totalmente independentes.

Cada pessoa gere a sua rotina, recebe familiares quando pretende e organiza o seu dia livremente.

Entreajuda entre vizinhos
É comum existirem pequenas redes informais de apoio.

Os residentes ajudam-se mutuamente em tarefas simples, como fazer compras, cuidar das plantas durante uma ausência ou acompanhar alguém a uma consulta.

Esta solidariedade fortalece o sentimento de pertença.

Envelhecimento ativo
As atividades organizadas pela comunidade incentivam a prática de exercício físico, o convívio e a participação social.

Tudo isto contribui para um envelhecimento mais saudável.

Segurança
Embora cada habitação seja independente, existe sempre alguém por perto.

Esta proximidade transmite maior tranquilidade, sobretudo a pessoas que vivem sozinhas.

Bofællesskab o modelo dinamarquês de habitação colaborativa para um envelhecimento mais ativo

Existem desvantagens?
Como qualquer modelo habitacional, também apresenta alguns desafios.

O principal é que não foi pensado para pessoas com elevados níveis de dependência.

À medida que surgem necessidades de cuidados permanentes, poderá tornar-se necessário recorrer ao apoio domiciliário ou considerar uma residência sénior.

Além disso, a convivência exige espírito comunitário.

Quem prefere um estilo de vida totalmente privado poderá não se adaptar facilmente à dinâmica destes espaços.

O modelo está presente noutros países?
Sim.

Embora tenha nascido na Dinamarca durante a década de 1960, o conceito expandiu-se para vários países.

Hoje existem comunidades semelhantes na:

  • Suécia;
  • Noruega;
  • Holanda;
  • Alemanha;
  • Bélgica;
  • Reino Unido;
  • Canadá;
  • Estados Unidos.

Em muitos destes países surgiram também versões destinadas especificamente a pessoas reformadas.

Existe em Portugal?
Em Portugal, o conceito ainda é pouco desenvolvido.

Existem alguns projetos de cohousing sénior, que seguem princípios semelhantes, mas o modelo dinamarquês ainda não está amplamente implementado.

No entanto, o crescente envelhecimento da população portuguesa e a procura por soluções intermédias entre o domicílio e a institucionalização poderão impulsionar este tipo de iniciativas nos próximos anos.

Será o futuro do envelhecimento?
Provavelmente não substituirá os lares nem as residências sénior.

Cada resposta social destina-se a diferentes perfis de pessoas.

Para idosos autónomos, socialmente ativos e que valorizam a independência, o bofællesskab pode representar uma excelente solução.

Já para pessoas com dependência moderada ou elevada, continuará a ser fundamental existir acesso a respostas como residências sénior, lares ou apoio domiciliário.

O importante será oferecer diferentes opções, permitindo que cada pessoa escolha aquela que melhor corresponde às suas necessidades e preferências.

O bofællesskab representa uma nova forma de encarar o envelhecimento, baseada na autonomia, na cooperação e na criação de comunidades onde as pessoas podem viver de forma independente sem abdicar do contacto social.

Embora ainda seja um conceito pouco conhecido em Portugal, tem vindo a despertar interesse em vários países devido ao seu potencial para combater a solidão e promover um envelhecimento mais ativo e participativo.

Na Via Senior, acompanhamos a evolução das diferentes respostas habitacionais e sociais para pessoas idosas, ajudando cada família a encontrar a solução mais adequada às suas necessidades. Se procura um lar de idosos, uma residência sénior, um centro de dia ou serviços de apoio domiciliário, a nossa equipa presta um acompanhamento gratuito e personalizado, ajudando-o a comparar opções e a tomar uma decisão informada para garantir o bem-estar e a qualidade de vida da pessoa idosa.

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